O nexo com o trabalho
Não basta estar doente: é preciso demonstrar que a rotina de trabalho causou ou agravou o quadro. Metas inatingíveis, jornada extensa, cobrança pública e assédio são fatos que constroem esse nexo.
Doença ocupacional
Em 2024 o Brasil registrou mais de 472 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Quando a doença vem da rotina de trabalho — meta impossível, cobrança abusiva, jornada sem descanso —, ela é equiparada a acidente de trabalho, e isso muda tudo o que o trabalhador pode exigir.
Requisitos
Não basta estar doente: é preciso demonstrar que a rotina de trabalho causou ou agravou o quadro. Metas inatingíveis, jornada extensa, cobrança pública e assédio são fatos que constroem esse nexo.
Laudo ou relatório que descreva o quadro, o CID e a relação com o ambiente de trabalho. Atestado de três dias sem descrição não sustenta o caso sozinho.
Mensagens de cobrança, escalas, e-mails, testemunhas de colegas. É o que transforma um relato pessoal em prova.
A perícia
O adoecimento mental raramente deixa marca visível. O que sustenta o caso é o registro do que acontecia antes do afastamento.
Metas revistas para cima toda semana, ranking exposto ao time, cobrança em grupo de mensagens fora do expediente.
Horas extras habituais, plantões, folgas não concedidas, retorno antes das 11 horas de intervalo.
Humilhação diante dos colegas, isolamento, ameaça de demissão como método de gestão.
Quando os sintomas começaram, quais afastamentos já houve, o que mudou na rotina antes disso.
Comunicação ao RH, pedido de remanejamento, relatos anteriores ignorados. Ciência da empresa pesa muito.
Antes de dar entrada
Você não precisa ter tudo para começar a conversa. Quanto mais completo, mais rápido dá para dizer se há caminho.
Mandar o que eu já tenhoOnde os pedidos caem
Nenhum desses erros é irreversível, mas todos custam tempo — e tempo, aqui, é prazo prescricional.
A Comunicação de Acidente de Trabalho é obrigação da empresa, e a recusa é comum. Ela pode ser emitida pelo próprio trabalhador, pelo médico ou pelo sindicato — e a recusa vira prova a favor.
Sair como B31 em vez de B91 tira a estabilidade de 12 meses e o depósito do FGTS durante o afastamento. Dá para pedir a conversão.
Atestado que informa apenas os dias de afastamento não descreve o quadro nem o nexo. Um relatório médico detalhado muda o peso da prova.
O prazo para reclamar na Justiça do Trabalho é de 2 anos após o fim do contrato, e alcança os 5 anos anteriores. Quem espera perde parcelas.
Fale com o escritório
Não precisa saber o nome jurídico de nada. Diga onde trabalhou, quanto tempo ficou e o que deu errado — a gente faz as perguntas que faltarem.
Não tem tudo? Manda o que tiver. Dá para começar assim.
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